Estudos também mostram que os médicos frequentemente relatam sentir que
ofereceram cuidados potencialmente inadequados ou fúteis nos últimos seis
meses de vida de seus pacientes, o que se mostrou estatisticamente associado
a comportamentos de evitação e síndrome de burnout nesses médicos. A
principal razão relatada por eles para esses procedimentos potencialmente
inadequados ou fúteis foi o desejo da família.
Considerando que a ortotanásia é prevista pela CFM brasileira como prática de
melhor interesse do paciente e que a distanásia está associada ao sofrimento do
paciente e da equipe assistencial, além da sobrecarga do sistema de saúde,
como podemos avançar para que ela seja permitida em pacientes neurológicos?
E o que mais é possível fazer por esses pacientes, além de lhes proporcionar
uma morte digna?
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Muitos profissionais ainda entendem os cuidados paliativos como relevantes
apenas quando já não existe qualquer possibilidade de tratamento curativo.4No
entanto, desde 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alterou essa
definição. No século XXI, os Cuidados Paliativos (CP) são definidos como uma
abordagem para a prevenção e o alívio do sofrimento de adultos e crianças com
doenças graves, buscando a identificação precoce e o controle preciso desse
sofrimento em suas dimensões física, psicológica, social e espiritual. Para serem
alcançados, esses cuidados devem ser aplicados precocemente e integrados a
tratamentos que modifiquem a doença, desde o diagnóstico de uma enfermidade
grave. O objetivo não é acelerar a morte, nem limitar os tratamentos, mas sim
proporcionar conforto e alinhar o tratamento da doença com o que é importante
para o paciente.
Para que esses objetivos sejam alcançados, as principais competências que a
equipe de cuidados paliativos deve possuir incluem a capacidade de controlar a
dor e outros sintomas, a capacidade de avaliar aspectos psicossociais e
habilidades de comunicação.